Libras e sua história
A língua brasileira de sinais (LIBRAS) é a língua de sinaisPB (língua gestualPE) usada pela maioria dos surdos dos centros urbanos brasileiros e reconhecida pela Lei.[1][2] É derivada tanto de uma língua de sinais autóctone quanto da língua gestual francesa; por isso, é semelhante a outras línguas de sinais da Europa e da América. A LIBRAS não é a simples gestualização da língua portuguesa, e sim uma língua à parte, como comprova o fato de que em Portugual usa-se uma língua de sinais diferente, a língua gestual portuguesa (LGP).
Assim como as diversas línguas naturais e humanas existentes, ela é composta por níveis lingüísticos como: fonologia, morfologia, sintaxe e semântica. Da mesma forma que nas línguas orais-auditivas existem palavras, nas línguas de sinais também existem ítens lexicais, que recebem o nome de sinais. A diferença é sua modalidade de articulação, a saber visual-espacial, ou cinésico-visual, para outros. Assim sendo, para se comunicar em Libras, não basta apenas conhecer sinais. É necessário conhecer a sua gramática para combinar as frases, estabelecendo comunicação. Os sinais surgem da combinação de configurações de mão, movimentos e de pontos de articulação — locais no espaço ou no corpo onde os sinais são feitos, os quais, juntos compõem as unidades básicas dessa língua. Assim, a Libras se apresenta como um sistema linguístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. Como qualquer língua, também existem diferenças regionais, portanto deve-se ter atenção às variações praticadas em cada unidade da Federação.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Como eu já disse, a compreensão da língua portuguesa pelos surdos é diferente da compreensão do ouvinte.
Ao escrever algum texto, é importante ter o cuidado para escrever palavras mais comuns do vocabulário da língua portuguesa. Uma pesquisa científica, um artigo, uma tese, uma dissertação, os textos publicados na web. Os surdos podem ler mas eu acho que eles terão dificuldades em compreender por causa do vocabulário e, também, pela própria característica do texto.
Vejam, por exemplo, o texto que eu estou escrevendo. Eu estou com cuidado para não usar frases complicadas, nem palavras complicadas, pois eu quero que o surdo compreenda o texto. Se eu fosse escrever sem este cuidado, o meu texto seria diferente.
Se publicar na Internet, no seu site ou no blog, um vídeo para um público surdo, se o vídeo não tiver legenda ou tiver a tradução em línguas de sinais, o surdo terá dificuldades em compreender.
Tenho visto publicações na Web que são informações voltadas para acessibilidade de surdos, mas não tem legenda nem em língua portuguesa, nem em língua de sinais. Ou então, são textos complexos.
Se forem realizar alguma pesquisa com os surdos, tenham cuidado também nas perguntas do questionário. Se vocês são estudantes e pesquisadores, devem saber que para fazer uma pesquisa, vocês tem que conhecer as pessoas com quem estão fazendo a pesquisa.
Se vocês querem que o próprio surdo responda o questionário, sejam mais diretos nas perguntas. Mais simples e diretos. Ficar escrevendo muito pode confundir tanto os surdos, quanto ouvintes.
A acessibilidade envolve tanto a compreensão quanto a visibilidade. Por exemplo, um questionário com letras muito pequenas para pessoas idosas. Eles podem não enxergar. Um questionário complexo, todo em preto e branco, para crianças. Elas não vão entender. E nem terão paciência para responder.
Sinceramente, eu não sei qual é o sentimento de uma pessoa surda quando recebe um questionário para responder que fala sobre os surdos, que vai ser utilizado para ajudar os surdos e está numa linguagem difícil que ele não consegue entender.
O surdo pode usar, por exemplo, um dicionário de libras para ajudar a compreender o vocabulário do questionário. Mas vai demorar muito.
Além disso, não há sinais para todas as palavras em língua portuguesa. Eu não sei dizer agora quanto sinais existem. Alguém sabe me dizer quantos sinais em Libras já existem? Se não existe sinal, pode ser que o surdo conheça a palavra. Ou então, ela não existe mesmo no vocabulário da LIBRAS.
Então, se você usar uma palavra mais complexa, pode ser que não exista sinal para ela ou que o surdo não a conheça.
Por exemplo, a palavra abstrata já é uma palavra abstrata. Você surdo sabe o que significa abstrato, abstração? Eu procurei agora no dicionário de libras e não achei o sinal. Existe um sinal para a palavra abstrato? Eu ainda não conheço. Você, ouvinte, diria: abstrato é tudo que não é concreto. Será que o surdo vai entender? Também não achei o sinal da palavra concreto.
E agora? Como explicar, através de um texto escrito, o que é abstrato. Abstrato seria o que não se pode pegar com a mão? As emoções, os sentimentos, as idéias são abstratos. Exemplo de palavras abstratas: sociedade, paz, sabedoria, abster-se, dor (achei os sinais para todas estas palavras no dicionário de libras). Tem muitas outras palavras abstratas. Exemplos de palavras concretas: mesa, caderno, dedo, mãos, carro, rua. Também tem muitas outras palavras concretas.
Vejam que os sinais também podem representar palavras abstratas e concretas.
Com carinho,
Maglyany Silva

Nenhum comentário:
Postar um comentário